• Carlos Daleno

Você já ouviu falar em trilhas sensoriais?

Atualizado: 18 de mar.

Pouca gente sabe, mas a verdade é que cego também pode fazer trilha. Confira!

13 de dezembro é o Dia Nacional do Cego. A data foi instituída no Brasil em 1961 com o objetivo de conscientizar a população contra o preconceito e discriminação, incentivando o espírito de solidariedade e diminuindo as barreiras sociais.


Segundo dados do IBGE de 2010, no Brasil, das mais de 6,5 milhões de pessoas com alguma deficiência visual: 528.624 pessoas são incapazes de enxergar (cegos); e 6.056.654 pessoas possuem baixa visão ou visão subnormal (grande e permanente dificuldade de enxergar).


Segundo a Organização Mundial da Saúde, as principais causas de cegueira no Brasil são: catarata, glaucoma, retinopatia diabética, cegueira infantil e degeneração macular.


O que é cegueira?


A deficiência visual é definida como a perda total ou parcial, congênita ou adquirida, da visão. O nível de acuidade visual pode variar, o que determina dois grupos de deficiência:


- Cegueira: há perda total da visão ou pouquíssima capacidade de enxergar, o que leva a pessoa a necessitar do Sistema Braille como meio de leitura e escrita.


- Baixa visão ou visão subnormal: caracteriza-se pelo comprometimento do funcionamento visual dos olhos, mesmo após tratamento ou correção. As pessoas com baixa visão podem ler textos impressos ampliados ou com uso de recursos óticos especiais.


Dificuldades e limitações da pessoa cega


A visão é um dos mais importantes meios de comunicação com o ambiente pois, cerca de 80% das informações que recebemos são obtidas por seu intermédio.


Porém, as limitações de aprendizagem e locomoção advinda da cegueira são apenas as primeiras barreiras impostas aos portadores de deficiência visual.


Junto com ela – e às vezes ainda mais pesada – vem o preconceito, a desconfiança de suas capacidades e o medo que, em grande parte dos casos, afastam o cego do convívio social.


No entanto, muitas conquistas vem sendo alcançadas nos últimos anos visando garantir a convivência e acessibilidade da pessoa cega como, por exemplo, a implantação de legislações que garantem métodos de ensino específicos para crianças e adultos com deficiência visual através do sistema braille.


Outra conquista que vem crescendo, embora lentamente, é uma mudança de cultura de gestores visando a acessibilidade tanto de calçadas e passeios públicos como também do transporte coletivo.


E essa mudança de cultura chega também ao universo trilheiro que, embora ainda devagar e desconhecido da maioria, já começa a trabalhar com a ideia de trilhas sensoriais.


O que são trilhas sensoriais?


As trilhas sensoriais foram pensadas para gerar uma experiência enriquecedora e para proporcionar um momento inesquecível, principalmente pelo fato de estimular o contato entre o participante e a natureza, inclusive a paisagem.


Como o nome já sugere, uma trilha sensorial é aquela que faz com que o trilheiro passe por uma experiência voltada para as sensações, como o toque, o aroma, a temperatura, o som e o gosto, por exemplo. Aqui, a visão é apenas uma pequena parte do mar sensorial que usufruímos.


Quando aplicamos esse conceito de trilha sensorial ao universo das pessoas cegas, a situação se torna ainda mais importante, visto que, sem o auxílio da visão, se conectar com a natureza de uma trilha e “apreciar” a paisagem e a natureza seria quase que impossível.


Aqui no Brasil, agências de ecoturismo, hotéis fazenda, organizações não-governamentais (ONGs) e até mesmo entidades públicas disponibilizam trilhas sensoriais em diversos estados, as quais possibilitam a inclusão de cegos em atividades diferenciadas.


O site Viaje Com Acessibilidade listou cinco trilhas sensoriais para você se deliciar, e a gente disponibiliza aqui para você. Confira!


Trilha Sensorial 1 – Parque Estadual da Pedra Branca


Localizado na Zona Oeste do Rio de Janeiro e organizada por funcionários do Programa Furnas de Voluntariado, essa trilha sensorial ecológica é exclusiva para deficientes visuais.


O projeto tem como objetivo a integração dos deficientes visuais por meio de sentidos táteis, auditivos e olfativos, proporcionando uma interação entre o meio ambiente e os participantes. A fauna da Mata Atlântica é o principal alvo da exploração, fazendo parte de um espaço de preservação ambiental.


A trilha é preenchida por estacas de madeira ligadas por cordas para que os deficientes visuais consigam se guiar com maior independência pelo ambiente.


Outras facilidades do local são as placas em Braille e os áudios gravados e reproduzidos ao longo da trilha. Eles contam a história das espécies da fauna e da flora ali presentes.


Ao lançarem a trilha ecológica sensorial, o objetivo é manter um programa com agendamentos para que outros deficientes visuais possam participar do projeto.


Trilha Sensorial 2 – Cachoeira de Águas Mornas


A Cachoeira de Águas Mornas, localizada na Grande Florianópolis (SC), possui um passeio de cerca de 400 metros até a cachoeira do Rio do Salto, promovido para deficientes visuais.


Cada participante conta com a ajuda de um guia sem deficiência visual para fazer com que o passeio seja o mais agradável possível e para que nenhum deles se machuque com alguns obstáculos que possam vir a existir no caminho.


No local é possível descer a cachoeira de rapel, proporcionando um momento único e cheio de aventura. Além disso, com a iniciativa, pode-se também aprender mais a respeito da natureza e saber como protegê-la da maneira correta.


O percurso proporciona um maior estímulo para os outros sentidos, faz com que os participantes esqueçam um pouco a internet e acabem por entrar em um contato maior com o meio ambiente. Isso faz bem tanto para aqueles que decidem participar do projeto quanto para a fauna e para a flora da região.


Para participar é preciso entrar em contato com agências locais que realizam o passeio e geralmente custa em torno de R$ 150,00.


Então, confira as dicas a seguir, providencie o seguro viagem e comece a planejar as próximas aventuras!


Trilha 3 – Parque Nacional do Itatiaia


Também localizada no Rio de Janeiro, a unidade oferece uma semana de integração para deficientes visuais que conta com o auxílio de guias sem deficiência.


A trilha é oferecida para esse público, mas também pode abranger mais pessoas, basta ter interesse em participar. No local é possível ter a percepção estimulada por meio da delimitação dos espaços, formato de folhas e textura de caules. Nesse caso, o tato é muito usado.


O tema está sendo muito abordado na região, recebendo o apoio do Centro de Visitantes e da Trilha Sensitiva no Jardim Sensorial localizado na unidade de conservação. Com isso, é possível garantir que a acessibilidade seja o primeiro passo para incluir pessoas com deficiência na questão da conservação do meio ambiente.


Para saber mais informações, acesse: https://www.icmbio.gov.br/parnaitatiaia/.


Trilha 4 – Cachoeiras de Macacu


Localizadas no Rio de Janeiro, as Cachoeiras de Macacu receberam um projeto da organização não governamental (ONG) Reserva Ecológica de Guapiaçu (Regua) que reflorestou a área e, com essa iniciativa, uma trilha sensorial acabou sendo criada para complementar o projeto, incluindo o quesito acessibilidade.


Um jardim sensorial foi criado para visitantes cegos, assim como para os deficientes físicos, que agora podem apreciar o local sobre a cadeira de rodas.


Além disso, o projeto também trouxe cerca de cento e sessenta professores preparados para disseminar seus conhecimentos acerca da preservação ambiental e do quanto ela é importante.


Com um percurso que chega a ter 400 metros, os participantes podem ter acesso à zona alagada e reflorestada. Além disso, é possível ouvir o canto das aves, estimulando a audição.


Para fazer uma reserva ou para qualquer dúvida, você pode entrar em contato com a ONG Regua.


Trilha 5 – Parque Nacional da Tijuca


Com o projeto de adaptação desde o ano de 2011, o Parque Nacional da Tijuca, localizado no Rio de Janeiro, é mais uma opção que oferece trilhas sensoriais no Brasil.


A trilha é chamada de Caminho Dom Pedro Augusto e conta com 630 metros para serem explorados em um terreno plano e largo. As placas em Braille e o cabo de autoguia facilitam a locomoção.


Em meio ao ambiente de Mata Atlântica, os visitantes serão capazes de ouvir as aves características da região, conhecer diversos tipos de plantas e escutar o som do riacho.


Com a promoção de trilhas sensoriais para deficientes visuais, é possível conscientizar que todos nós temos espaço no processo de preservação do meio ambiente, trazendo maior sensação de inclusão. Além, evidentemente, de proporcionar que pessoas com deficiência visual também usufruam das maravilhas da natureza.



E aí, você já conhecia o conceito de trilhas sensoriais? Gostou dessas dicas? Conhece alguma outra trilha sensorial? Comente aqui para nós divulgarmos para todo mundo!



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